Obama: choro, grito e alegria.

novembro 6, 2008

Nessa onda otimista que a vitória de Barack Obama produziu, recebi ontem um email ótimo de um amigo que acompanhou de perto o dia da vitória e o fim da era Bush na América.

Gostei tanto que resolvi compartilhar:

Ontem o dia amanheceu com cara de obrigação.
Eu aqui, meio que por acaso, podendo acompanhar a história de perto.
Tinha que fazer alguma coisa, tinha que fotografar, pelo menos tentar dividir esse momento.
Me acompanhava a angústia de saber que não sou fotojornalista, me falta generosidade no olhar pra isso.
Saí. Primeira parada Union Square, local histórico de manifestações políticas.
Ao sair do metrô, sou abordado por uma panfletária que pedia ajuda para Obama. “Mas eu não posso votar”, “Não tem problema. Você pode ajudar ligando pras pessoas pra lembrá-las que hj é dia de eleição”, “Mas eu não sou daqui, não conheço ninguém”, “Não tem problema”.
Prédio do Teamsters, 6o. andar. Dentro, dezenas de pessoas aguardam junto aos telefones a chegada das listas com os nomes e números de telefones. Mark pede paciência e explica a importância das ligações.
25 telefones e muitas pessoas em mesas improvisadas com seus próprios celulares e headfones a postos.
Faço duas fotos. Peço permissão. Negada.
Chegam as novas listas. Depois de ter feito os 3 rounds de ligações pra Virginia, chegava a vez da Florida. Hora de tomar postos. Encontrei um telefone disponível, não funcionava.
Nessa hora, fotografar ou não já era irrelevante. O telefone quebrado tiraria de mim a possibilidade de fazer algo que realmente podia fazer alguma diferença. Consertei o bichinho.
As ligações eram basicamente pra lembrar (quem poderia esquecer??!!) as pessoas de votarem e ajudá-las a descobrir sua zona eleitoral. Tinha também um serviço de carona pra ajudar as pessoas a chegar até o lugar de votação.
Além disso, através do número de pessoas que já tivessem votado, o comitê central conseguia ter uma idéia de qual área era mais importante fazer uma ofensiva mais direta, bater de porta em porta.
Com o script nas mãos, começamos as ligações. muitas delas pra telefones desconectados. A área para qual ligávamos era das mais pobres e muitas pessoas perderam suas linhas nos últimos meses. Que levantassem as mãos as pessoas que falassem espanhol. Em terra de cego, quem tem um olho é rei. Levantei a minha. Era mesmo.
Corria de um lado pro outro pra falar com os hispânicos do outro lado das linhas. Espanhol macarrônico, portunhol treinado na Argentina, conseguia me comunicar com as pessoas em meio a palavras inventadas.
Garotos de 12 anos trabalhavam recolhendo as páginas completadas.
Um dinamarquês e um inglês tinham tirado férias agora pra poder estar aqui trabalhando, hoje.
“Não se trata de eleições americanas, estas são as eleições do império”.As palavras da Teté me seguiam na cabeça.
Terminamos a Flórida antes das 5.
A noite encontrei amigos pra uma ‘election party’, queria estar com gente querida.
Esperança, apreensão e medo. Eu tava com medo. Confuso também. Fui entendendo aos poucos.
Às 11 da noite, o resultado final. Obama é o novo presidente. Choros, gritos e uma alegria que nunca tinha visto aqui.
Começa a música latina. Todos dançando, sorrisos de orelha a orelha.
Resolvemos ir pro Harlem, bairro tipicamente negro e latino, pra ouvir o discurso do Obama de lá.
Chegamos a tempo de ouvir os aplausos e participar de uma batucada bem familiar que começava meio de canto pra virar a maior atração do lugar.
Que privilégio estar aqui.
Choro, grito e alegria. Essa felicidade tinha nome: esperança.

Gui Mohallemfotógrafo

gui2

gui21

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: